HERÓIS DA VIDA REAL
Na infância, nossos heróis se destacam nas revistas em quadrinhos e nos filmes de televisão. Imaginamos ser um deles nas brincadeiras com os amigos e colegas. Porém, na vida real, precisamos ser heróis de verdade, vencer os obstáculos. Não é fácil! Mas precisamos entender que exercemos um poder inigualável perante a vida.
Alguns heróis da vida real se destacam mais que os outros devido a forma de encarar as adversidades. Pegamos como exemplo a história do ator Christopher Reeve, conhecido mundialmente no cinema por interpretar, em quatro produções, o Super-Homem. Em 1995, Reeve ficou tetraplégico fraturando duas vértebras do pescoço e a coluna vertebral ao cair do cavalo em uma competição de equitação. A partir daí, ele iniciou uma incansável busca por um tratamento que o fizesse andar novamente. Mas a ciência ainda não tinha um tratamento específico. Precisavam estudar as células-troncos, então ele passou a apoiar e buscar recursos financeiros por meio de campanhas para que as pesquisas pudessem ter continuidade. Criou e presidiu a Fundação Christopher Reeve para a paralisia, foi também Ativista da Unicef, Anistia Internacional e da Ecologia. Fundou, juntamente com outros atores, a Coalizão Criativa, um grupo de ajuda a pessoas sem casa. Também engajou na luta em prol dos deficientes para que tivessem melhor qualidade de vida, organizando eventos esportivos. Trabalhou para que leis federais fossem aprovadas permitindo que pessoas deficientes pudessem trabalhar, enquanto continuavam a receber seus benefícios. Conforme Paul Smith, diretor-executivo da Spinal Injuries Association, na Inglaterra, “Ele foi o nosso campeão. Se você pensa em lesões da medula você automaticamente liga isso à figura de Christopher Reeve (...) Ele sem dúvida levantou uma quantidade enorme de dinheiro que não existia para a pesquisa. Ele definitivamente fez uma diferença enorme”. E completou dizendo que “Se houver uma resposta e ela vier da pesquisa de células-troncos, então Christopher Reeve terá sua marca na história e sem dúvida será uma das pessoas que trouxeram esta resposta”.
Reuters Colin Blakemore, chefe do Conselho de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha, fez a seguinte declaração: “Ele se tornou um Super-Homem da vida real. Seu heroísmo, sua coragem eram extraordinários”.
Mesmo com todas as dificuldades impostas pela paralisia, Reeve ainda participou do filme Janela Indiscreta; escreveu dois livros: Ainda Sou Eu (1998) e Superar o Impossível (2002). Vale ressaltar que sua esposa, Dana Reeve, esteve ao seu lado o tempo todo, dando-lhe o apoio que precisava. Christopher Reeve faleceu em 2004, aos 52 anos, de complicações cardíacas.
Sempre que lemos algo sobre alguém que superou ou pelo menos, tentou superar seus próprios limites, principalmente em favor de outras pessoas, ficamos a perguntar: O que posso fazer para superar meus limites? Na maioria das vezes, sadios, sem nenhuma complicação de saúde, pessoas ficam apegadas aos bens materiais, transitórios, deixando de lado o mais precioso que um indivíduo pode fazer, a caridade. Por que precisamos de uma enfermidade para fazer o bem a alguém? Será que é por que nos tornamos vulneráveis?
Richard Simonetti, em seu livro Temas de Hoje Problemas de Sempre, no capítulo Heroísmo, cita a história de Helen Keller, nascida em Tuscumbia, Estados Unidos, em 1880, aos 18 meses de idade um mal não definido provocou-lhe a cegueira e a surdez; conseqüentemente, era muda também. Até os 7 anos era um verdadeiro animalzinho, com vida puramente instintiva, condenada, segundo os padrões da época, à idiotia.
Este artigo foi dividido em duas partes, devido ao espaço limitado do blog. Logo abaixo segue a continuação.
Escrito por Marco Tulio Michalick às 23h08
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HERÓIS DA VIDA REAL - CONTINUAÇÃO

Mas Keller foi perseverante. Primeiro aprendeu a falar, por meio de muita paciência e intermináveis exercícios. Que se tenha registro, foi a primeira pessoa a articular palavras inteligíveis, sem nunca ter ouvido algum som. Diplomou em uma escola para pessoas normais, apesar de não poder ouvir as aulas e nem fazer anotações. Conforme o Autor “Helen Keller provou que o poder da vontade representa uma força quase ilimitada, ao aprender muito no campo da Geometria, da Álgebra, das Ciências Físicas, da Botânica, da Zoologia e da Filosofia. Escrevia em inglês e francês mantendo correspondências com figuras de grande projeção no Mundo inteiro. Pronunciou centenas de conferências em vários países, inclusive no Brasil, e escreveu livros notáveis”. Sua existência foi dedicada em favor dos cegos, surdos e mudos.
Simonetti, também conta a história de Franz Rosenzweig, escritor alemão, ele foi perdendo, progressivamente, os movimentos de seus músculos, ao sofrer de esclerose amiotrófica lateral. Sendo assim, apenas com os olhos conseguia se comunicar com o mundo exterior. O Autor escreve que “uma máquina de escrever foi construída especialmente para ele. A particularidade era o enorme teclado, com teclas bem espaçadas. Seu meio de comunicar-se era fixar os olhos sobre a letra desejada que, em seguida, era apertada por sua esposa. Assim “falava”; assim escrevia a tradução da Bíblia e cultivava enorme correspondência”.
Poderíamos citar uma infinidade de histórias para mostrar o quanto as pessoas, apesar das limitações, conseguiram com perseverança e força de vontade, sobressair das dificuldades, encarando aquela provação ou missão, de forma digna, escrevendo assim a sua história da vida real.
Mas não é só por meio de limitações que o indivíduo pode ser considerado um herói. A vida nos dá a oportunidade de mostrar diariamente a força interior que cada um possui, por meio da fé e da coragem.
Uma das formas de ser herói é criar os filhos com dignidade, independente da condição social; assumir responsabilidades; aprender com os erros; ensinar os menos favorecidos; saber dizer não a uma proposta indecente, como por exemplo, a corrupção; pensar no coletivo; saber amar a família; pensar primeiro no outro do que em si mesmo; tomar decisões; saber colocar seu ponto de vista sem ofender a ideologia alheia; conservar verdadeiras amizades, orar por aqueles que “dizem” ser amigos; conseguir sair do vício seja ele qual for.
A intenção deste artigo é tentar descrever por meio destas histórias que todos nós podemos vencer nossas limitações. Temos uma infinidade de possibilidades para mostrar que somos capazes de criar uma situação favorável. Podemos destacar o nosso heroísmo a começar pelas coisas mais simples, como um sorriso. A demonstração de carinho a outrem já é um ato heróico, afinal, muitas pessoas não sabem demonstrar o que sentem.
No futuro, iremos reavaliar nossa vida e veremos o quanto herói fomos nos momentos mais difíceis.
Por Marco Tulio Michalick
Texto original publicado na Revista Internacional de Espiritismo, edição nº 08, ano 2006.
Escrito por Marco Tulio Michalick às 23h05
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