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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

                           

        

         No dia 25 de novembro comemora-se o dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres. Esta data foi criada no primeiro encontro feminista da América Latina e Caribe, em 1981, na cidade de Bogotá, na Colômbia. Na oportunidade, homenagearam as irmãs Minerva, Pátria e Maria Tereza, mortas violentamente em 25 de novembro de 1960, ao desafiarem o governo do ditador Rafael Leônidas Truijillo, na República Dominicana. Esta data também foi proclamada pela Assembléia Geral da ONU, em 1999. A intenção é que neste dia todos os países façam atividades que sensibilizem a opinião pública e coloquem os órgãos governamentais atentos para a atual situação das mulheres vítimas de todo tipo de violência.

         As mulheres têm sido vítimas da violência doméstica, onde o agressor é normalmente o próprio cônjuge. Conforme pesquisa da Organização Pan- Americana da Saúde (OPAS/OMS), a agressão física no lar atinge o índice de 85%. A violência sexual é outra barbárie que vem assolando a sociedade, onde a vítima tem seus direitos físicos e morais violados, a honra ferida, e em muitos casos, gera uma gravidez indesejada, terminando na prática abortiva.

         De um modo geral, a sociedade tem fechado os olhos e tampado os ouvidos na intenção de não querer se comprometer neste assunto. Por outro lado, a vítima, muitas vezes dependente do cônjuge, acaba por se calar, amargando a dor sozinha, algumas vezes compartilhada por alguns poucos amigos ou familiares que nada podem fazer se a vítima não o desejar.

         Nos anos 70, a esposa que traía, ou supostamente acusada de trair o marido, era assassinada pelo cônjuge. Após ser preso, julgado, o homem tinha sua liberdade decretada, pois alegava “legítima defesa da honra”. Esta justiça com as próprias mãos provocou naquela década uma mancha sangrenta de violência contra a mulher onde o homicídio era a forma de punição.

         Outros dados relevantes é o da Fundação Perseu Abramo, de São Paulo, cuja pesquisa revela que uma mulher é espancada a cada quinze segundos; uma de cada cinco brasileiras declara, espontaneamente, ter sofrido algum tipo de violência por algum homem; no caso de agressão, chega a 43% quando as entrevistas fornecem respostas estimuladas; 33% admitem ter sido vítima, em algum momento da vida, de alguma forma de violência física (24% de ameaças com armas ao cerceamento do direito de ir e vir, 22% de agressões propriamente ditas e 13% de estupro conjugal ou abuso); 27% sofreram violências psíquicas, 11% afirmam ter sofrido assédio sexual.

         Estes números alarmantes nos mostram o quanto a violência contra a mulher está sendo praticada e o pouco que está se fazendo para, pelo menos, amenizar estas agressões e punir os culpados.

         Os Estados Unidos que vêm proclamando seus altos valores morais, pegam a contramão, quando alguns dos programas de maior audiência neste país são de violência contra a mulher. Exemplo disto, o seriado “CSI”, uma das séries mais populares na terra do Tio Sam, alcança semanalmente o índice de 28 milhões de telespectadores. Cenas de crueldade contra a mulher são exibidas naturalmente mostrando estupro, assassinatos e torturas, garantindo assim, sua audiência e a comercialização da cota de patrocínio. Só para se ter uma idéia, conforme a revista Adweek, os anunciantes chegam a pagar pelas cenas de violência em “CSI”, U$ 465.000, aproximadamente um milhão de reais. Para completar este número exorbitante, anualmente 700 mil mulheres são abusadas sexualmente nos Estados Unidos, conforme pesquisa da (OPAS/OMS).

 

Este artigo foi dividido em duas partes, devido ao espaço limitado do blog. Logo abaixo segue a continuação.

 

 



Escrito por Marco Tulio Michalick às 20h18
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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - CONTINUAÇÃO

                             

         

          Pelo espiritismo entendemos que não existe apenas uma vida, pois se caso assim fosse, Deus não estaria sendo justo com seus filhos, além do mais, uma existência apenas não é o suficiente para entender, compreender e colocar em prática os ensinamentos cristãos de Jesus. Por isto, existe a lei de causa e efeito, sendo assim, o que fizemos ontem (outra vida), colhemos agora. O verdugo de ontem é a vítima de hoje. Mesmo que tenhamos sido a vítima no passado não justifica ser o agressor no presente. Mas nada justifica perante as leis divinas a prática do mal contra outrem. O mau que recebemos não nos dá o direito de pagar na mesma moeda, isto inclui o aborto praticado quando a gravidez indesejada é por meio do estupro. Se assim o fizer, a mulher estará se nivelando ao seu agressor. O filho vindo nessas circunstâncias pode ser um amigo de outras reencarnações e ambos podem ter alguns resgates para efetuarem em conjunto.

         Jesus nos dá um exemplo da não violência contra a mulher quando os escribas e fariseus levaram-Lhe uma mulher surpreendida em adultério. Eles queriam colocar em prática a lei de Moisés que ordenava apedrejar as adúlteras. Pediram então a opinião de Jesus que Lhes disse: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado lhe atire a primeira pedra”. Ao ouvirem estas palavras, eles retiraram-se, um após outro, sendo que os velhos saindo primeiro. Esta é uma passagem interessante, pois Aquele em que achavam condenar a mulher os fez refletir sobre o pecado, afinal não estamos em posição de julgar e muito menos condenar.

         As mulheres têm o seu papel importante na sociedade. E não é por satisfação sexual do homem ou para a procriação. Elas têm a sensibilidade e o amadurecimento que os homens desconhecem. Deus confiou a elas o dom da vida, a experiência de trazer durante nove meses em seu ventre um ser. Elas são tão especiais, que no momento em que Jesus foi crucificado, estavam ali, Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago e de José; e a Maria mãe dos filhos de Zebedeu.

         Apesar de ter diversas delegacias especiais de atendimento à mulher espalhadas pelo Brasil, ainda existe em alguns lugares a falta de capacitação de pessoal, de sensibilidade em lidar com a vítima que já se encontra em estado traumático, o que faz a pessoa se sentir ainda pior. E este problema se estende aos hospitais, psicólogos, médicos, assistentes sociais, ou seja, muitos por terem se acostumado a conviver diariamente com este problema, acabam tratando a mulher vitimada, friamente, sem o calor humano necessário para amenizar aquela dor.

         Os órgãos governamentais e a sociedade devem estar atentos e apoiar os projetos significantes que estão em andamento no sentido de coibir a violência contra a mulher.

         A mulher que sofre uma violência deve refletir sobre esta experiência dolorosa. Toda experiência é um aprendizado. Achar o melhor caminho para resolver o problema cabe a ela, aos familiares e aos profissionais competentes que acompanham o caso. Antes de qualquer decisão, faça uma prece. Nestes momentos, muitas mulheres esquecem de Deus, devido à angústia e ódio que sentem por seu opressor e até mesmo por Deus. A aflição é um momento em que agimos pela emoção, esquecendo da razão. A prece é o momento de harmonizar a alma aflita, desesperada. A prece faz com que, por pior que seja a situação, consigamos enxergar as mãos de Deus nos amparando.

         Chico Xavier dizia que “às vezes, naquele minuto de oração, deixamos de tomar uma decisão precipitada, de proferir uma palavra agressiva, de permitir que a cólera nos induza a qualquer atitude infeliz”.

 

Por Marco Tulio Michalick

Texto original publicado na Revista Internacional de Espiritismo, edição nº 06, ano 2006.

 



Escrito por Marco Tulio Michalick às 19h42
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