O PERDÃO AOS CRIMINOSOS
Alguma vez na vida você pensou em orar por um criminoso? Ou ainda, perdoar um criminoso que tenha praticado o mal contra você ou ente querido? Poucas pessoas poderiam responder “sim”, afinal, em nosso nível evolutivo não conseguimos muitas vezes perdoar a quem amamos, quanto mais a um delinqüente. Realmente, perdoar não é uma tarefa fácil, principalmente quando nos vem à mente a fisionomia do criminoso e seus atos condenáveis. Mas, por que, normalmente, quando presenciamos ou assistimos pela televisão alguém praticando um crime, nossa primeira ação é sentir ódio dele e pena da vítima. Alguns oram pela vítima enquanto pedem em suas orações punição severa contra o bárbaro. Há aqueles que sentem ódio, mas imaginam que se aquilo aconteceu é porque a vítima precisava resgatar um débito do passado. Sabemos que toda ação gera uma reação e nenhum ato criminoso ficará impune em nossa caminhada evolutiva, mas temos que ter muito cuidado com este tipo de julgamento, pois nossa visão é limitada e apesar de existirem, sim, experiências do passado a repercutirem ainda hoje em nossas vidas, cada caso é um caso.
Não cabe a nós julgar ou condenar, espiritualmente falando, qualquer pessoa. Neste âmbito, nosso sentimento deve ser de solidariedade, e sendo assim, a oração em favor da vítima e do criminoso é essencial.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos uma mensagem do espírito Elisabeth de França – Havre, 1862, que diz: “A verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu ao mundo por Jesus, e deve existir entre os autênticos discípulos de sua doutrina uma completa fraternidade. Deveis amar os infelizes e os criminosos como criaturas de Deus, aos quais o perdão e a misericórdia serão dados, desde que se arrependam, como também a vós mesmos pelas faltas que cometeis contra sua Lei”.
O leitor deve pensar que perdoar um criminoso é coisa para espíritos mais evoluídos, como Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá, Ghandi, entre outros, mas tudo é possível e depende de nós escrevermos nossa história. Está em nossas mãos perdoar ou condenar, emanar bons fluídos para um sofredor ou maus fluídos, prejudicando ainda mais a sua psique.
Em 30 de agosto de 1997, o garotinho Yves Oto, 8 anos, foi assassinado por três homens, sendo dois deles policiais militares que prestavam serviço de segurança para seu pai, Masataka Oto. Na época Yves foi seqüestrado, e por ter conhecido um dos seqüestradores, foi morto com dois tiros e enterrado no quarto da filha de um dos acusados. Entre o sumiço do garoto, o contato dos seqüestradores, até encontrar o corpo, a agonia dos pais durou onze dias. O crime abalou todo o país que se comoveu com o sofrimento da família de Yves.
Este artigo foi divido em duas partes, devido ao espaço limitado do blog. Logo abaixo segue a continuação.
Escrito por Marco Tulio Michalick às 20h40
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O PERDÃO AOS CRIMINOSOS - CONTINUAÇÃO

Masataka Oto disse que a primeira coisa que o homem pensa é em vingança. Afinal, perder um filho em tenra idade assassinado é revoltante. Após uma peregrinação movimentando o país e coletando assinaturas (dois milhões e meio), as encaminhou para o Congresso na tentativa dos políticos alterarem as leis de crimes hediondos, porém o documento está no Congresso há anos e nada foi feito.
Mas a vida da família Oto mudou. Após a morte do filho, um familiar disse para Keiko Ota, mãe de Yves, que perdoar os criminosos seria a única forma do garoto estar bem e reencarnar novamente. Keiko passou a fazer a oração do perdão. Ela orava várias vezes ao dia, e quatro meses após a morte de Yves, quando já havia perdoado de coração os assassinos de seu filho, ela engravidou. Esta gravidez tem uma passagem interessante, pois no quinto mês de gestação, Masataka Oto visitou Chico Xavier que lhe falou “Parabéns, o Yves está voltando!”. Essas palavras emocionaram Masataka. Nasceu uma garotinha linda, atualmente com 8 anos, possui as mesmas marcas no corpo físico que Yves possuía.
Recentemente, em um programa de televisão, Keiko Ota disse que “Quando acontece uma dificuldade, um sofrimento como o nosso, nós estamos ganhando. O Yves partiu daquela forma para nos levar a luz, para mudar o nosso interior, aquele material embasado, só pensando no materialismo. Hoje nós estamos equilibrados, o material do espiritual”.
Três anos após a morte de Yves, Masataka foi ao presídio visitar o único dos três criminosos que aceitou recebê-lo. Ele disse também neste programa de TV que pediu a Deus, antes de entrar no presídio, sabedoria e força. E que Deus lhe deu a sabedoria para tirar o ódio, e lhe falou do perdão. E a força para pegar na mão do homicida e o cumprimentar. Masataka disse que ao sair do presídio, saiu totalmente aliviado, aquele ódio que tava dentro dele ficou por lá.
A partir do momento em que o ódio deu lugar ao perdão, houve um equilíbrio espiritual na família, e assim eles criaram a Fundação Yves Oto – Movimento Paz e Justiça Ives Ota. Conforme Masataka “O objetivo é ajudar, material e espiritualmente, os menos favorecidos. Dar um apoio a eles, mostrando que a violência não pode fazer parte de seu cotidiano, senão ela se torna algo "natural". Para isso, eu e minha esposa, Keiko Ota, realizamos palestras na sede da instituição, às quintas-feiras, a cada quinze dias, e também em escolas, principalmente em regiões mais carentes. Essas palestras são direcionadas a pessoas que tenham sofrido algum tipo de violência. Os palestrantes são padres, pastores, da Seicho-No-Iê. Aqui há livre arbítrio para todos”.
O perdão foi fundamental para a família Oto, assim como deve ser para a nossa. Sem o perdão o sentimento que temos é de ódio e vingança, e isto acaba retornando para nós mesmos, prejudicando a nossa psique, refletindo em doenças no corpo físico. Sem o perdão o que teremos são feridas no coração que jamais serão cicatrizadas, pois qualquer sentimento contrário ao perdão é literalmente um bisturi a abrir cada vez mais a ferida.
Fundação Yves Ota: fone (11) 2293-0966.
Por Marco Tulio Michalick
Texto original publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 46, ano 2007.
Escrito por Marco Tulio Michalick às 20h33
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